Gato do Orelhão
Lá estava eu andando pela rua com outro amigo apelidado de Cabeça e outro, meio manco, tocador de viola e afetado pelo nascimento, na hora errada, no lugar errado, no momento errado quando encontramos outro peste com apelido Miguér que tava sentado ao lado de um orelhão numa das esquinas da São Manoel.
-E aí, Miguiér, tudo na boa? Que tu tá fazendo aí? - Perguntei
Ele respondeu: -E aí, gurizada. Nada de mais. Só to aqui fazendo umas ligações "grátis" pra minha namorada que tá na Bahia.
O Cabeça perguntou: -Como?
- Ah, bem fácil. Peguei o telefone da baia, cortei os fios do orelhão ali embaixo, e emendei tudo... Depois eu remendo de volta e já era.
Mal terminou de explicar, e chega uma "Pata-Choca" (Viatura tipo camionete, carregada de Brigadianos, todos com espingardas tipo calibre 12 em punhos, e metade dos corpos pra fora, em alta velocidade, apelidada assim pela malandragem de rua da época).
Com todas as armas apontadas pra nós, bradaram: -Mão na cabeça, todo mundo pra parede!
Com mãos na cabeça e todo mundo na parede, revistaram um por um, e em menos de 1 minuto colocaram os 3 sentados no chão da carroceria da Pata. Começaram a consultar pelo rádio os nomes, pegar documentos, etc.
É quando me chega um brigadiano e me diz: -Teve com sorte hein magrão!! Faltam 5 dias pra fazer 18 anos!! Escapou por pouco! O resto vai tudo pro Palácio da Polícia. E tú, tá dispensado. Vai pra casa.
Na mesma hora virei perna e a minha primeira parada foi na casa do Cabeça, que ficou na viatura e estava indo falar com o delegado. A casa dele ficava na outra esquina e, chegando lá, já encontrei o pai dele e avisei na hora o que tinha acontecido e onde estava o filho dele. Afinal, não tínhamos culpa de nada. Foi puro acaso. Correrias, já chegou o irmão dele, que por sorte era advogado, e foram pro Palácio da Polícia.
Bom, resultado: Eu me safei porque era "menor de idade" por 5 dias de diferença. O Cabeça, se safou por causa do irmão advogado. O afetado manco, era filho de coronel do Exército e o que estava cometendo o crime de roubo de ligações telefônicas era filho de carcereiro do Presídio Central. Todos voltaram pras suas casas.
Mas a cena da viatura abarrotada de brigadianos e os canos das 12 tudo apontada pra nós, como se fosse um crime de assassinato, jamais esquecerei. E isso que naquela época tinha que comprar ficha telefônica, nem existia cartão.
Ao ver a cena, certamente algum morador denunciou.
Visualizar Gato do Orelhão em um mapa maior
-E aí, Miguiér, tudo na boa? Que tu tá fazendo aí? - Perguntei
Ele respondeu: -E aí, gurizada. Nada de mais. Só to aqui fazendo umas ligações "grátis" pra minha namorada que tá na Bahia.
O Cabeça perguntou: -Como?
- Ah, bem fácil. Peguei o telefone da baia, cortei os fios do orelhão ali embaixo, e emendei tudo... Depois eu remendo de volta e já era.
Mal terminou de explicar, e chega uma "Pata-Choca" (Viatura tipo camionete, carregada de Brigadianos, todos com espingardas tipo calibre 12 em punhos, e metade dos corpos pra fora, em alta velocidade, apelidada assim pela malandragem de rua da época).
Com todas as armas apontadas pra nós, bradaram: -Mão na cabeça, todo mundo pra parede!
Com mãos na cabeça e todo mundo na parede, revistaram um por um, e em menos de 1 minuto colocaram os 3 sentados no chão da carroceria da Pata. Começaram a consultar pelo rádio os nomes, pegar documentos, etc.
É quando me chega um brigadiano e me diz: -Teve com sorte hein magrão!! Faltam 5 dias pra fazer 18 anos!! Escapou por pouco! O resto vai tudo pro Palácio da Polícia. E tú, tá dispensado. Vai pra casa.
Na mesma hora virei perna e a minha primeira parada foi na casa do Cabeça, que ficou na viatura e estava indo falar com o delegado. A casa dele ficava na outra esquina e, chegando lá, já encontrei o pai dele e avisei na hora o que tinha acontecido e onde estava o filho dele. Afinal, não tínhamos culpa de nada. Foi puro acaso. Correrias, já chegou o irmão dele, que por sorte era advogado, e foram pro Palácio da Polícia.
Bom, resultado: Eu me safei porque era "menor de idade" por 5 dias de diferença. O Cabeça, se safou por causa do irmão advogado. O afetado manco, era filho de coronel do Exército e o que estava cometendo o crime de roubo de ligações telefônicas era filho de carcereiro do Presídio Central. Todos voltaram pras suas casas.
Mas a cena da viatura abarrotada de brigadianos e os canos das 12 tudo apontada pra nós, como se fosse um crime de assassinato, jamais esquecerei. E isso que naquela época tinha que comprar ficha telefônica, nem existia cartão.
Ao ver a cena, certamente algum morador denunciou.
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