Atrack na praça atrás do colégio Padre Rambo (Esse foi foda!)

Então tá, então!





Esse foi um dos atracks mais xaropes. Estava eu andando com um marginal que aqui vai constar como J.P.Q. , que tem fama de atraír policia.





Nesse dia, fomos lá perto do Morro da Cruz, onde estava morando um amigo meu, o violeiro, dos atracks anteriores. Lá tinha um estúdio, e tal. Pegamos o cara pra dar um passeio e queimar um por ali. Passamos no Campo da Tuca antes, pra pegar mais um 10. Depois paramos numa praça pra queimar um, de canto.





Estão os 3 ali bem tranquilos, o carro parado a 5 metros do banco, uma vela rolando... Quando o beck está quase chegando na ponta, aparece uma viatura, bem devagarinho...





Eles passam por nós e depois voltam. Isso dá tempo de eu pegar a ponta, colocar no chão e arrastar o pé por cima.





Percebi um morador da casa de frente pra praça nos olhando nessa hora. Com certeza foi o que denunciou.





Quando a viatura voltou, já desceram e mandaram todo mundo colocar a mão na cabeça. Desceram com arma em punho, apontando. Fizemos o que eles mandaram.





Os PM interrogaram, perguntaram de onde a gente era (pior que era um de cada canto da cidade) . Pediram pra eu mostrar o que tinha nos bolsos. Tirei umas moedas e umas chaves.


A minha sorte é que a chave do carro não tinha borracha. Era aquelas toda de metal e o policial não consegui identificar como chave do carro.





Fiquei rezando pra que não me revistassem de novo, e não fizeram isso.


Uma brigadiana mandou eu tirar os tênis pra ver o que tinha e eu quase caí. Foi quando ela disse: "Olha só como estão chapados, não consegue nem fazer um quatro!".





Aí um deles perguntou: "Como vocês chegaram aqui? " E eu tive a cara dura de dizer: "Viemos de ônibus" - com o carro a 5 metros de mim e a chave no meu bolso. Menti para 6 brigadianos. Confesso. A mulher, mais experta, como todas, logo verificou: " Aquele ali tá sem camisa, e no ônibus não pode entrar sem camisa." Nisso um brutamontes de Ray-Ban começou a bronquear com o mangolão, sei lá, talvez porque ele gaguejou na resposta. Eu tive a infelicidade de intervir, o que atraiu na mesma hora o brutamontes para a minha direção. Eu disse: "Senhor polícia, o senhor não está vendo que o indivíduo tem problemas mentais? Pode fazer a pergunta pra mim que vou tentar responder."





O policia tirou o Ray Ban e me olhou nos olhos e perguntou: "Se eu colocar um pratão de cocaína na tua frente, tu vai cheirar tudo?" Eu falei pra ele: "Não, pois não sou cheirador de cocaína."


Aí ele disse: "Não é cheirador? Quero ver tu dizer isso lá pro delegado depois que eu te enfiar uma buxa no bolso e te entregar pra ele! Em quem ele vai acreditar?" Eu falei: "No senhor, pois o senhor é uma autoridade e eu sou apenas um estudante. " - "Ahé, e o que tu estuda?" - "XXXXXXXXX". "Então me dá o telefone do reitor que eu vou avisar ele;" - Putzz. Eu dei o telefone da faculdade que eu fazia na época pro Brigadiano. Heheh mas dei errado.





Nisso um deles falou: "Estão liberados então. Cada um vai pra um lado diferente. Um sobe a lomba ( o mangolão), outro desce a lomba (o J.P.Q) e eu desci por uma escadaria que tinha em frente, todo expiado, pensando que ia tomar um tiro pelas costas. Sei lá, poderiam alegar depois que eu fugi. Fiquei desconfiado, mas larguei fora como eles mandaram.





Larguei fincado correndo até a outra esquina da esquerda pra achar o violero.





Quando encontrei ele, falei pra ele pegar um ônibus e largar fora pra casa.





Continuei correndo até a casa de um outro parceria que tinha um telefone fixo. Chegando lá, liguei pra outro louco que tinha uma caranga. NEssa época eu tinha um celular daqueles primeiros, tijolão analógico, de conta.





Falei pro cara no telefone: "Meu, vem aqui que eu preciso de uma carona tua!" Aí ele apareceu rapidamente, com a mulher dele tudo, e me levou no carona até lá o local do atraque. Inacreditavelmente passamos bem ao lado do carro, que já estava aberto, sendo revistado pela polícia. Já tinha mais uma outra viatura e o J.P.Q algemado no banco da praça e sendo interrogado. Ou seja, jamais os brigadianos imaginaram ou imaginariam, se eu não escrevesse aqui, que eu, o mais procurado desse atraque, pois estava comigo a única chave do carro, passei ao lado deles, menos de 2 metros, e ainda passei fingindo que era uma criancinha no banco de trás, me aproveitando de uma bonequinha que tinha ali atrás, no carro do cara. Gugu dadá..





O que aconteceu foi que o J.P.Q tinha voltado no carro pra pegar a camiseta dele e encontrou o vidro aberto, deixado pelo mangolão. Assim os brigadianos deram o bote nele e o pegaram como ladrão de carros, até segunda ordem;





Liguei para a minha namorada e contei a história. E enquanto isso os brigadianos ligaram pra mãe dela (que era o nome que estava no documento do carro), e disseram: "Senhora, seu carro se encontra aberto aqui no morro (era um lugar alto, mas não na vila) e pode ter sido roubado e abandonado.


Minutos depois ela já estava lá com o advogado dela negociando comigo a entrega da chave do carro, pois eu era o único que tinha. Eu falei que só voltaria no carro se lá não tivessem brigadianos. Aí ele disse:"Pode vir que não vai ter brigadianos."


Aí me deu um dos maiores calafrios que já me deu na vida. Será que não é uma cilada?


Será que eu vou até lá e levo a chave e não vai ter nenhum Brig. mesmo?

Levei a chave! Chegando lá, muito expiado, na hora que eu ia devolver a chave... "Espera aí que eu preciso pegar meus documentos."

Fui no carro, coloquei a mão no porta-tudo da porta e ... tchan tchan tchan tchan

Tava ali toda a baura, intacta. Mas e os policiais não revistaram o carro? Sim.

Agora, jamais saberemos porque eles deixaram o fumo ali...sem faltar uma mutuca. O que eu fiz foi o inevitável. Peguei a maronha e enfiei no bolso, larguei a chave do carro e fui embora, pro caminho da felicidade.






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